Estou
revoltado! Aliás, bem mais que isso. Estou indignado! O motivo? A política do
meu país e por extensão, com nossos parlamentares e governantes em todos os
níveis, tanto no âmbito federal como no estadual e municipal, com raríssimas
exceções e bote raridade nisso.
Comecemos
pelo âmbito federal: nos governos pós militares, no governo do presidente
Sarney tivemos a inflação galopante completamente descontrolada, causa
primordial de todos os males; o governo Collor deu no que deu; a dobradinha
Itamar / F.H.C. trouxe um pouco de paz, controlou a inflação e organizou a
economia, mas ao sair o câmbio estava em torno de quatro reais por um dólar; o
governo Lula-lá ampliou e multiplicou o programa de “bolsas” criado no governo
anterior sob o argumento de tirar
milhões e milhões de pessoas da miséria mas esqueceu-se de observar o princípio
explícito no poema musial de protesto do grande Luiz Gonzaga:
“Seu doutor os nordestinos tem muita
gratidão pela ajuda dos sulistas nestas secas do sertão. Mas doutor, uma esmola,
para um homem que é são, ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão.”
O
grifo é nosso. Porém isso é o de menos. Foi nesse governo que foi instituído o
mensalão, que nas palavras do Procurador Geral da República foi uma quadrilha
organizada para desviar dinheiro público, chefiada pelo então todo poderoso
Ministro-Chefe da Casa Civil do Palácio do Planalto, que também era deputado
federal e foi cassado pelos seus pares, cujo processo, sete anos depois,
encontra-se prestes a ser julgado pelo S.T.F. Observe-se que muitos dos crimes
arrolados no processo já prescreveram e os outros estão muito próximos de
seguir o mesmo caminho caso não sejam julgados neste segundo semestre e pasmem,
o ex-presidente Lula desceu de sua “dignidade”, rompeu a “ritualística” de sua
posição de “ex” e tentou interferir no S.T.F. em favor dos acusados do
mensalão, o que causou a revolta do Ministro Gilmar Mendes que denunciou o fato
à mídia nacional.
O
“santo” Palocci envolveu-se num escândalo como “quebra de sigilo bancário do caseiro”
e por aí vai.
O
governo Dilma, em que pese sua coragem e determinação, sete de seus ministros
foram forçados a deixar o governo sob suspeita de corrupção, em apenas um ano e
meio de governo.
Ainda
em Brasília, tivemos o escândalo do “mensalão do DEM” que terminou com a prisão
e consequente afastamento do governador Sérgio Arruda e outros deputados
distritais.
Agora,
a bola da vez é o imbróglio Demóstenes / Cachoeira / Delta, onde o primeiro foi
cassado, o segundo está preso provisoriamente e quanto à Delta, bem... aí
parece que o “buraco é mais embaixo”. A C.P.M.J. está pisando em ovos, parece
um cachorro correndo atrás do rabo porque ao que tudo indica tanto o PT, o PSDB
e o PMDB tem rabo preso e cada um está puxando a brasa para a sua sardinha. Dá
até a impressão de que a cassação do Demóstenes e a prisão do cachoeira são
suficientes para limpar toda a sujeira, varrer para debaixo do tapete e “e tudo
ficará como Dantes no quartel de Abranches”.
Quanto
à corrupção, essa vai muito bem, obrigado, crescendo cada vez mais e matando
pessoas nas filas dos hospitais, recém-nascidos nas maternidades, e gerando o
caos na saúde pública, mormente nos atendimentos de emergência.
Sobre
a segurança, nem precisamos falar. Basta assistirmos aos noticiários que somos
até induzidos a pensar que a notícia de hoje é
uma repetição da notícia de ontem, mas não, é somente a repetição quase
monótona do crime semelhante ao anterior, como assassinato de policiais,
assalto à bancos e caixas eletrônicos, shoppings, mercantis, postos de
gasolina, adulteração de combustíveis, roubo e furto de carros, raptos, a lista
não tem fim.
Nos
transportes, é suficiente olharmos para os congestionamentos com até mais de
cem quilômetros nas grandes cidades e veremos que o confortável sonho de se ter
um carro transformou-se em pesadelo. E o governo? Bem, ele incentiva cada vez
mais a compra de carros que irão enfeitar as garagens.
E
a educação? Ainda ontem ouvimos o discurso da presidente Dilma, onde enfatizava
que diante do crescimento pífio do PIB projetado para este ano “não se mede o
crescimento de uma grande nação apenas pelo crescimento do PIB, mas sim com
educação de qualidade que se dá às crianças e jovens...”. Mas que qualidade é
essa? Todos conhecem a “qualidade” dos ensinos fundamental e médio públicos
deste país e o abismo que há entre o ensino médio e o superior, tanto que um
dos melhores negócios privados atualmente são os cursinhos preparatórios tanto
para o vestibular como para a prestação de concursos.
Qual
seria a causa dessa má qualidade do ensino público? Na verdade há muitas
vertentes nessa causa, mas a mãe de todas elas é certamente a baixa remuneração
dos professores e técnicos da educação que influencia diretamente na
especialização desses profissionais e a política de governo para o setor não
percebeu que é o professor que ensina e forma todas as demais categorias de
técnicos deste país, isto é, ele, professor, está na base da formação, é dele
que depende a qualidade do desempenho dos demais profissionais. A equação é
simples: ensino de má (e baixa) qualidade é igual a profissionais medíocres. O
inverso também é verdadeiro: educação de alto nível é igual também a
profissionais de alto nível. Como o governo não consegue ou não quer enxergar
essa equação tão simples, o resultado são as greves sucessivas e quase
contínuas principalmente nas universidades federais, inclusive apoiada pelos
alunos, como no caso atual de São Paulo, todos pleiteando melhores salários,
melhores instalações e melhor qualidade do ensino. Recentemente a Rede Globo
exibiu uma reportagem em que se encontram os hospitais universitários. E é aí,
nesse ambiente, que se formarão nossos futuros médicos.
Novamente
a corrupção entra em cena: obras super faturadas, prédios fantasmas que foram
ocupados, licitações fraudulentas já devidamente filmadas e exibidas pela Rede
Globo, milhões e bilhões desviados pelos mensalões da administração pública que
escoam pela Cachoeira e desaguam no Delta das empreiteiras e nos bolsos de
políticos criminosos que enriquecem à custa de milhares de mortos nos hospitais
e nas maternidades, e o que é ainda mais cruel, se é que isso é possível, pela
desnutrição de crianças que ficam sem a merenda escolar, que muitas vezes é a
única refeição que ingerem no dia, só porque um prefeito “esperto” meteu a mão
no dinheiro da merenda, ficou inadimplente perante o MEC e a verba é suspensa
até que “enérgicas providências sejam tomadas para sanar o problema”.
Ainda
ontem, 12/07/12, a Globo, mais uma vez, noticiou um fato corriqueiro, porém
profundamente revoltante: o velódromo do Rio de Janeiro que custou R$
14.000.000,00 (catorze milhões de reais) há cinco anos, para a realização do
“Pan-americano” será demolido porque suas dimensões são inadequadas para as
Olimpíadas de 2016. Simples, não é? Mas que pagou a conta? Nós, eu, você, todos
os contribuintes. E quem pagará as novas instalações? Hein? Adivinhem, afinal
são apenas catorze milhões de reais. Agora, quando se fala em conceder aumento
de salário ao funcionalismo público e principalmente à classe do magistério, aí
o país irá à falência, porque a economia não suportará mais esse “aporte” de
recursos nas despesas. E quanto ao judiciário, parlamentares e ministros? Não!
“Peraí”! Esses são diferenciados e podem sim ter seus aumentos regulares,
ordinários, extraordinários e outros “ários”, que até rima com os “otários” da
vida, digo eleitores, trabalhadores e contribuintes em geral, mormente os que
tem o imposto recolhido na fonte.
Quanto
ao nosso Amapá, este está muito bem na foto, digo, na mídia. Basta olhar para a
propaganda oficial: são milhares e milhares de casas construídas e / ou a
construir, principalmente estas últimas, tanto pelo governo como pela
prefeitura da capital que chega a gerar dúvidas sobre quem é o pai da criança.
Exemplo: o conjunto “Mucajá” aparece tanto na propaganda do governo como da
prefeitura. E a rodovia Norte/Sul? Esta já está praticamente pronta. Tem uma
extensão de 7,5km aproximadamente, e já possui 1km de asfaltamento e cerca de 1,5km de terraplanagem. Não demora
nadinha a ficar pronta.
As
nossas ruas e avenidas são as “melhores” possíveis. Estão em primeiro lugar no
ranking das mais esburacadas do país. A culpa é naturalmente da chuva que não
deixa os administradores públicos trabalharem. Só não entendo uma coisa: por
que no Pará, mormente em Belém, onde tradicionalmente chove mais que aqui, os
administradores públicos trabalham, asfaltam e tapam os eventuais buracos mesmo
debaixo de chuva? Vai ver o nosso asfalto é feito de sal, que dissolve na água.
A
nossa economia está travada, pode perguntar a qualquer empresário, o nosso
turismo é pífio, quase inexistente, que nos diga a secretaria de turismo e a
rede hoteleira.
A
saúde, bem, façam uma visita ao Hospital Geral, digo das clínicas à maternidade,
ao pronto atendimento infantil e ao pronto socorro, isto é, pronto atendimento,
tentem marcar uma consulta e vejam a situação.
Na
área de segurança, recomendo assistir aos jornais radiofônicos e televisões
locais e tirem também suas conclusões.
Na
educação, não me lembro de nenhum outro estado da Federação onde a classe do
magistério seja tratada como neste torrão equatorial. Parece mentira, mas no
mês passado um professor do estado aproximou-se de mim chorando, lembrou que eu
fora professor dele e me pediu cinco reais. Sim, cinco reais. Eu dei e chorei
com ele. O noticiário tem divulgado à exaustão casos os mais diversos de
professores que ficaram sem salários e outro tanto com valores ridículos de
algumas dezenas de reais, outros com menos, e até com alguns centavos.
Não
quero aqui fazer juízo de valores quanto à legalidade ou não do movimento
grevista, mas será que não dói na consciência de sua excelência saber que
enquanto sua família, seus filhos, tem a mesa farta, as famílias de centenas de
milhares de professores estão passando fome, vivendo na miséria, professor
mendigando, virando esmoler, tudo porque estão reivindicando que o governo
pague apenas o piso salarial instituído por lei federal? Será que não lhe dói a
consciência, Excelência? Vai aqui um lembrete: professores e suas famílias
também votam, são seres humanos, cidadãos!
Escrevi
este artigo como forma de desabafar a minha indignação pessoal mas quero crer
que muitas outras pessoas comungam comigo da mesa revolta, da mesma indignação,
por isso peço encarecidamente que ao lerem este no meu blog façam um comentário
crítico e repassem o blog para que outros também tomem conhecimento. Bem sei
que a minha opinião pessoal ou a sua, isoladamente, tem pouco ou nenhum valor,
mas em conjunto com outros, podem ser comparadas aos versos de um poeta que li
na minha juventude:
“Que vale uma gota de orvalho ante o
calor de um raio de sol? Nada! Lance-a ao mar, entrará na vaga, contribuindo
para o soçobro das maiores naus na guerra!”
Em
Macapá, Amapá, 13 de julho de 2012 às 14h15min.
Luiz
Bezerra
Professor
de Administração e Direito.