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sexta-feira, 13 de julho de 2012

Minha Revolta


Estou revoltado! Aliás, bem mais que isso. Estou indignado! O motivo? A política do meu país e por extensão, com nossos parlamentares e governantes em todos os níveis, tanto no âmbito federal como no estadual e municipal, com raríssimas exceções e bote raridade nisso.
Comecemos pelo âmbito federal: nos governos pós militares, no governo do presidente Sarney tivemos a inflação galopante completamente descontrolada, causa primordial de todos os males; o governo Collor deu no que deu; a dobradinha Itamar / F.H.C. trouxe um pouco de paz, controlou a inflação e organizou a economia, mas ao sair o câmbio estava em torno de quatro reais por um dólar; o governo Lula-lá ampliou e multiplicou o programa de “bolsas” criado no governo anterior  sob o argumento de tirar milhões e milhões de pessoas da miséria mas esqueceu-se de observar o princípio explícito no poema musial de protesto do grande Luiz Gonzaga:
“Seu doutor os nordestinos tem muita gratidão pela ajuda dos sulistas nestas secas do sertão. Mas doutor, uma esmola, para um homem que é são, ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão.”
O grifo é nosso. Porém isso é o de menos. Foi nesse governo que foi instituído o mensalão, que nas palavras do Procurador Geral da República foi uma quadrilha organizada para desviar dinheiro público, chefiada pelo então todo poderoso Ministro-Chefe da Casa Civil do Palácio do Planalto, que também era deputado federal e foi cassado pelos seus pares, cujo processo, sete anos depois, encontra-se prestes a ser julgado pelo S.T.F. Observe-se que muitos dos crimes arrolados no processo já prescreveram e os outros estão muito próximos de seguir o mesmo caminho caso não sejam julgados neste segundo semestre e pasmem, o ex-presidente Lula desceu de sua “dignidade”, rompeu a “ritualística” de sua posição de “ex” e tentou interferir no S.T.F. em favor dos acusados do mensalão, o que causou a revolta do Ministro Gilmar Mendes que denunciou o fato à mídia nacional.
O “santo” Palocci envolveu-se num escândalo como “quebra de sigilo bancário do caseiro” e por aí vai.
O governo Dilma, em que pese sua coragem e determinação, sete de seus ministros foram forçados a deixar o governo sob suspeita de corrupção, em apenas um ano e meio de governo.
Ainda em Brasília, tivemos o escândalo do “mensalão do DEM” que terminou com a prisão e consequente afastamento do governador Sérgio Arruda e outros deputados distritais.
Agora, a bola da vez é o imbróglio Demóstenes / Cachoeira / Delta, onde o primeiro foi cassado, o segundo está preso provisoriamente e quanto à Delta, bem... aí parece que o “buraco é mais embaixo”. A C.P.M.J. está pisando em ovos, parece um cachorro correndo atrás do rabo porque ao que tudo indica tanto o PT, o PSDB e o PMDB tem rabo preso e cada um está puxando a brasa para a sua sardinha. Dá até a impressão de que a cassação do Demóstenes e a prisão do cachoeira são suficientes para limpar toda a sujeira, varrer para debaixo do tapete e “e tudo ficará como Dantes no quartel de Abranches”.
Quanto à corrupção, essa vai muito bem, obrigado, crescendo cada vez mais e matando pessoas nas filas dos hospitais, recém-nascidos nas maternidades, e gerando o caos na saúde pública, mormente nos atendimentos de emergência.
Sobre a segurança, nem precisamos falar. Basta assistirmos aos noticiários que somos até induzidos a pensar que a notícia de hoje é  uma repetição da notícia de ontem, mas não, é somente a repetição quase monótona do crime semelhante ao anterior, como assassinato de policiais, assalto à bancos e caixas eletrônicos, shoppings, mercantis, postos de gasolina, adulteração de combustíveis, roubo e furto de carros, raptos, a lista não tem fim.
Nos transportes, é suficiente olharmos para os congestionamentos com até mais de cem quilômetros nas grandes cidades e veremos que o confortável sonho de se ter um carro transformou-se em pesadelo. E o governo? Bem, ele incentiva cada vez mais a compra de carros que irão enfeitar as garagens.
E a educação? Ainda ontem ouvimos o discurso da presidente Dilma, onde enfatizava que diante do crescimento pífio do PIB projetado para este ano “não se mede o crescimento de uma grande nação apenas pelo crescimento do PIB, mas sim com educação de qualidade que se dá às crianças e jovens...”. Mas que qualidade é essa? Todos conhecem a “qualidade” dos ensinos fundamental e médio públicos deste país e o abismo que há entre o ensino médio e o superior, tanto que um dos melhores negócios privados atualmente são os cursinhos preparatórios tanto para o vestibular como para a prestação de concursos.
Qual seria a causa dessa má qualidade do ensino público? Na verdade há muitas vertentes nessa causa, mas a mãe de todas elas é certamente a baixa remuneração dos professores e técnicos da educação que influencia diretamente na especialização desses profissionais e a política de governo para o setor não percebeu que é o professor que ensina e forma todas as demais categorias de técnicos deste país, isto é, ele, professor, está na base da formação, é dele que depende a qualidade do desempenho dos demais profissionais. A equação é simples: ensino de má (e baixa) qualidade é igual a profissionais medíocres. O inverso também é verdadeiro: educação de alto nível é igual também a profissionais de alto nível. Como o governo não consegue ou não quer enxergar essa equação tão simples, o resultado são as greves sucessivas e quase contínuas principalmente nas universidades federais, inclusive apoiada pelos alunos, como no caso atual de São Paulo, todos pleiteando melhores salários, melhores instalações e melhor qualidade do ensino. Recentemente a Rede Globo exibiu uma reportagem em que se encontram os hospitais universitários. E é aí, nesse ambiente, que se formarão nossos futuros médicos.
Novamente a corrupção entra em cena: obras super faturadas, prédios fantasmas que foram ocupados, licitações fraudulentas já devidamente filmadas e exibidas pela Rede Globo, milhões e bilhões desviados pelos mensalões da administração pública que escoam pela Cachoeira e desaguam no Delta das empreiteiras e nos bolsos de políticos criminosos que enriquecem à custa de milhares de mortos nos hospitais e nas maternidades, e o que é ainda mais cruel, se é que isso é possível, pela desnutrição de crianças que ficam sem a merenda escolar, que muitas vezes é a única refeição que ingerem no dia, só porque um prefeito “esperto” meteu a mão no dinheiro da merenda, ficou inadimplente perante o MEC e a verba é suspensa até que “enérgicas providências sejam tomadas para sanar o problema”.
Ainda ontem, 12/07/12, a Globo, mais uma vez, noticiou um fato corriqueiro, porém profundamente revoltante: o velódromo do Rio de Janeiro que custou R$ 14.000.000,00 (catorze milhões de reais) há cinco anos, para a realização do “Pan-americano” será demolido porque suas dimensões são inadequadas para as Olimpíadas de 2016. Simples, não é? Mas que pagou a conta? Nós, eu, você, todos os contribuintes. E quem pagará as novas instalações? Hein? Adivinhem, afinal são apenas catorze milhões de reais. Agora, quando se fala em conceder aumento de salário ao funcionalismo público e principalmente à classe do magistério, aí o país irá à falência, porque a economia não suportará mais esse “aporte” de recursos nas despesas. E quanto ao judiciário, parlamentares e ministros? Não! “Peraí”! Esses são diferenciados e podem sim ter seus aumentos regulares, ordinários, extraordinários e outros “ários”, que até rima com os “otários” da vida, digo eleitores, trabalhadores e contribuintes em geral, mormente os que tem o imposto recolhido na fonte.
Quanto ao nosso Amapá, este está muito bem na foto, digo, na mídia. Basta olhar para a propaganda oficial: são milhares e milhares de casas construídas e / ou a construir, principalmente estas últimas, tanto pelo governo como pela prefeitura da capital que chega a gerar dúvidas sobre quem é o pai da criança. Exemplo: o conjunto “Mucajá” aparece tanto na propaganda do governo como da prefeitura. E a rodovia Norte/Sul? Esta já está praticamente pronta. Tem uma extensão de 7,5km aproximadamente, e já possui 1km de asfaltamento e  cerca de 1,5km de terraplanagem. Não demora nadinha a ficar pronta.
As nossas ruas e avenidas são as “melhores” possíveis. Estão em primeiro lugar no ranking das mais esburacadas do país. A culpa é naturalmente da chuva que não deixa os administradores públicos trabalharem. Só não entendo uma coisa: por que no Pará, mormente em Belém, onde tradicionalmente chove mais que aqui, os administradores públicos trabalham, asfaltam e tapam os eventuais buracos mesmo debaixo de chuva? Vai ver o nosso asfalto é feito de sal, que dissolve na água.
A nossa economia está travada, pode perguntar a qualquer empresário, o nosso turismo é pífio, quase inexistente, que nos diga a secretaria de turismo e a rede hoteleira.
A saúde, bem, façam uma visita ao Hospital Geral, digo das clínicas à maternidade, ao pronto atendimento infantil e ao pronto socorro, isto é, pronto atendimento, tentem marcar uma consulta e vejam a situação.
Na área de segurança, recomendo assistir aos jornais radiofônicos e televisões locais e tirem também suas conclusões.
Na educação, não me lembro de nenhum outro estado da Federação onde a classe do magistério seja tratada como neste torrão equatorial. Parece mentira, mas no mês passado um professor do estado aproximou-se de mim chorando, lembrou que eu fora professor dele e me pediu cinco reais. Sim, cinco reais. Eu dei e chorei com ele. O noticiário tem divulgado à exaustão casos os mais diversos de professores que ficaram sem salários e outro tanto com valores ridículos de algumas dezenas de reais, outros com menos, e até com alguns centavos.
Não quero aqui fazer juízo de valores quanto à legalidade ou não do movimento grevista, mas será que não dói na consciência de sua excelência saber que enquanto sua família, seus filhos, tem a mesa farta, as famílias de centenas de milhares de professores estão passando fome, vivendo na miséria, professor mendigando, virando esmoler, tudo porque estão reivindicando que o governo pague apenas o piso salarial instituído por lei federal? Será que não lhe dói a consciência, Excelência? Vai aqui um lembrete: professores e suas famílias também votam, são seres humanos, cidadãos!

Escrevi este artigo como forma de desabafar a minha indignação pessoal mas quero crer que muitas outras pessoas comungam comigo da mesa revolta, da mesma indignação, por isso peço encarecidamente que ao lerem este no meu blog façam um comentário crítico e repassem o blog para que outros também tomem conhecimento. Bem sei que a minha opinião pessoal ou a sua, isoladamente, tem pouco ou nenhum valor, mas em conjunto com outros, podem ser comparadas aos versos de um poeta que li na minha juventude:
“Que vale uma gota de orvalho ante o calor de um raio de sol? Nada! Lance-a ao mar, entrará na vaga, contribuindo para o soçobro das maiores naus na guerra!”
Em Macapá, Amapá, 13 de julho de 2012 às 14h15min.

Luiz Bezerra
Professor de Administração e Direito.