Duas das mais
importantes tribos indígenas do Amapá estão em pé de guerra.
A tribo dos “TUDOMEU”
se sentiu ofendida quando a tribo dos “QUEROMEU” resolver ter de volta o valor
do percentual que havia renunciado em
favor dos “TUDOMEU”, para que essa tribo fizesse seus investimentos sociais nas
tribos, como cursos de especialização para colher açaí, para pescar, remar com
segurança, etc. Como os “TUDOMEU” não apresentaram nem justificaram seus
projetos, os “QUEROMEU”, que tem o poder de votar e aprovar ou não os projetos
dos “TUDOMEU” resolveram em assembleia que deveriam ter de volta aquele
dinheirinho, coisa pouca, algo assim como R$ 4.000.000,00 (quatro milhões).
Daí, por causa dessa
ninharia, que somados a outros dinheirinhos de tribos menores, os
“QUASESEMNADA”, armou-se a briga que promete acirrar os ânimos guerreiros
dessas importantes tribos que armados com seus tacapes, arcos e flechas, pedras
e caroços, prometem ir até as últimas conseqüências inclusive ao supremo
“SABETUDO” tudo pelo bem do nosso povo, digo, de nós, os índios em geral, mais
conhecidos na mídia como a tribo dos “SEMNADA”.
Como todos sabemos,
essas brigas sempre acabam em “pirão de açaí com tamoatá” de modo que nos
arriscamos a prever o desfecho dessa guerra: os “TUDOMEU” ficarão com tudo, os
“QUEROMEU” receberão “UMTOMATEACOMODA”, os “QUASESEMNADA” receberão um quase
nada vultuoso e os “SEMNADA” continuarão a não ter nada.
Macapá, 27 de julho de
1999.
Obs: apesar de este
artigo ser de 27/07/99 e se referir a uma “guerrinha” entre governo e
assembleia, parece que foi escrito hoje.
Professor Luiz Bezerra